Nutrologia e Cultura

História, ciência e cultura do que comemos

História da alimentação

As refeições dos romanos e o banquete de Trimalquião

  • Pintura acadêmica de um banquete romano com servos carregando bandejas e convivas reclinados
  • Mosaico romano com aves, peixes, tâmaras, lagostins e aspargos
  • Mosaico de um banquete romano com convivas reclinados e mesas cheias de comida
  • Afresco de Pompeia com uma tigela de vidro cheia de frutas e uvas
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A ideia do jantar como a refeição mais importante do dia não é coisa moderna.

Um romano do começo do Império, por exemplo, nem sempre tomava o desjejum, o ientaculum: era refeição comum entre crianças, doentes e trabalhadores, feita de madrugada, com pão e, às vezes, tâmaras ou uvas-passas. Por volta do meio-dia ou uma da tarde vinha o prandium, um almoço frugal. A cena era a refeição principal, pelo menos para os ricos, com carnes, peixes e mais de um prato. Começava lá pelas três da tarde, depois do banho.

Era no jantar que se ostentava riqueza, mesmo quando ela não vinha de berço. No tempo de Nero, Petrônio descreveu no Satíricon (uma pornochanchada da época) um desses jantares, oferecido por Trimalquião, um liberto enriquecido, metido e conhecido pelas extravagâncias gastronômicas.

Conta Petrônio que as entradas vieram numa grande bandeja com um jumento de bronze coríntio; no lombo, dois cestos, um com azeitonas verdes, outro com pretas. Ao lado, arganazes (pequenos roedores, isso mesmo) cobertos de mel e sementes de papoula. Enquanto os convidados ainda beliscavam, chegou outra bandeja com um cesto e uma galinha de madeira de asas abertas, como se estivesse chocando. Dois escravos remexeram na palha e tiraram ovos de pavoa, que distribuíram aos convivas. Trimalquião fingiu preocupação: chocados pela galinha, os ovos talvez já tivessem pintinho. A casca, porém, era de massa de farinha e, dentro, havia um papa-figos gordo, envolto em gema temperada com pimenta.

Ao reunir iguarias das mais diversas partes do Império, os ricos (e os nem tanto) demonstravam poder e influência. Mas não bom gosto.

Referências

  1. Smith, William (org.). A dictionary of Greek and Roman antiquities, verbete “Coena”. Londres: John Murray, 1875. https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/secondary/SMIGRA*/Coena.html
  2. Petrônio. Satíricon, capítulos 31 e 33. Tradução inglesa de W. C. Firebaugh. Acesso em 29 out. 2026. https://www.gutenberg.org/ebooks/5225