Nutrologia e Cultura

História, ciência e cultura do que comemos

História da alimentação

Escorbuto e James Lind

  • Folha de rosto do Tratado do Escorbuto, de James Lind, de 1753
  • Ilustração médica antiga de pernas com as manchas e feridas do escorbuto
  • Gravura colorida de dois homens comprando frutas cítricas de uma vendedora negra
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Durante séculos, o escorbuto foi o terror dos marinheiros nas grandes viagens: gengivas podres, manchas na pele, fraqueza nos joelhos. Já havia suspeita sobre o papel dos alimentos na cura, mas foi o médico James Lind quem levou a fama.

Em maio de 1747, a bordo do navio Salisbury, Lind separou doze marinheiros com escorbuto, com casos tão parecidos quanto possível, em seis pares. Todos comiam a mesma dieta, e cada par recebia um tratamento da época: um quarto de galão de sidra por dia; 25 gotas de elixir de vitríolo três vezes ao dia; duas colheres de vinagre três vezes ao dia; meio quartilho de água do mar por dia; duas laranjas e um limão por dia; ou um eletuário de alho, semente de mostarda, rábano, bálsamo-do-peru e mirra.

O resultado, nas palavras dele: os efeitos bons mais rápidos e visíveis vieram das laranjas e dos limões. Em seis dias, um dos que os comeram estava apto para o serviço. Lind publicou o experimento em 1753, no seu Tratado do escorbuto.

A história das vitaminas não foi um momento, mas um processo: o reconhecimento de que doenças podem ser causadas não só por algo presente no alimento, mas também por algo ausente.

PS: a vitamina C, o ácido ascórbico, só entrou em cena bem mais tarde. Albert Szent-Györgyi recebeu o Nobel de Medicina de 1937 por descobertas ligadas a ela.

Referências

  1. Lind, James. A treatise of the scurvy. Edimburgo, 1753, parte II, cap. IV. https://archive.org/details/treatisescurvyt00lind
  2. The Nobel Prize. The Nobel Prize in Physiology or Medicine 1937. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1937/summary/