Nutrologia e Cultura

História, ciência e cultura do que comemos

História da alimentação

O molho Marinetti

Da série Futurismo

  • Retrato fotográfico de Filippo Tommaso Marinetti, de bigode
  • Anúncio de jornal de 1931 do concurso de molhos para o macarrão Puritas
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Você já ouviu falar do molho Marinetti? Leva o nome de Filippo Tommaso Marinetti, poeta e líder do futurismo italiano, que, curiosamente, detestava massa e queria tirá-la da mesa italiana.

O futurismo celebrava a velocidade, a técnica e a modernidade, e rejeitava o passado. O manifesto mais controverso de Marinetti foi o da cozinha futurista, publicado em 1930, que declarava guerra à pastasciutta: a massa, segundo ele, pesava, embrutecia e tornava as pessoas céticas, lentas e pessimistas. Patriótico seria comer arroz. O manifesto chegava a pedir à química que fornecesse as calorias necessárias em pós ou pílulas. Tô fora…

A campanha contra a massa provocou uma reação forte: para muitos italianos, era uma ofensa a um dos símbolos da sua identidade.

E é aqui que entra o molho. A história que circula, e que não consegui confirmar em nenhum documento da época, por isso trate-a como lenda urbana, é esta: no começo dos anos 1930, a revista La Cucina Italiana teria promovido um concurso para escolher o melhor molho para o macarrão Puritas, com Marinetti entre os jurados, que aceitou como provocação. O vencedor, o cozinheiro Amedeo Pettini, teria batizado sua criação, com tomate, anchovas, alcachofras, presunto e pistache picado, e uma boa dose de ironia, de molho Marinetti.

A história do molho Marinetti, lenda ou não, lembra como a gastronomia pode ser arte, debate e reflexo de uma sociedade e de seus paradoxos.

Referências

  1. Marinetti, Filippo Tommaso; Fillìa. La cucina futurista. Milão: Sonzogno, 1932. https://it.wikisource.org/wiki/La_cucina_futurista